Stories é o novo newsfeed. E seu smartphone, o novo teclado

Se a câmera é o novo teclado, então o futuro das redes sociais se parece mais com um slideshow do que com um documento de word. O Snap inventou o Stories, mas o Facebook colocou-o para rodar em todos os lugares.

Talvez você ainda não esteja 100% adaptado à invasão dos stories nos seus apps preferidos, mas já é hora de admitir, esta é a realidade e não uma fase.

O Facebook popularizou há 10 anos o feed baseado em algorítimo. O Tinder popularizou o deslizar de sim/não, junto ao consentimento bilateral nos aplicativos de encontro. O Blogger, os blogs. O Google, o Pagerank. O ICQ, as mensagens instantâneas.

Os primeiros aplicativos que copiaram ou se basearam nestas funcionalidades foram chamados de clones. Para o Facebook, hoje, ser chamado de “clone” até então não tem sido um problema, visto que deu um tiro de canhão no “Stories”outrora tímido a “pequena”comunidade local do Snap.

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No lançamento do Stories para o Instagram, o CEO Kevin Systrom fez a seguinte citação:

“Isto não é mais sobre quem inventou o que. Isso é sobre um formato, como você o traz para dentro de sua plataforma e o coloca para rodar.”

Somente alguns meses depois, no lançamento do Messenger Day, o VP de Messaging do Facebook reforçou o sentimento de intimidade com a função:

“Creio que o Stories é definitivamente um formato, da mesma forma que o feed é um formato.”

É consenso dentro da alta gestão do Facebook que o formato de slideshow em foto/video tornou-se um “must have”, questão de evolução, em todas as aplicações da companhia. Foi implementado no WhatsApp como visível forma de monetizar o canal até então “inexplorado”, e está sendo testado para o Facebook.

 

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Do NewsFeed para o Stories, da câmera digital para o Smartphone

 

Quando o Facebook lançou o NewsFeed em 2006, ele foi 100% projetado para desktops. Era perfeito para que você digitasse seus status em texto, diretamente do seu teclado bege, copiasse e colasse links de outros websites, pois afinal, você estava preso dentro da sua casa e não tinha nada muito legal para mostrar. Postar fotos ainda exigia o homérico esforço de baixar o conteúdo de sua câmera digital, isso foi quase há um século, bem antes de todos termos smartphones.

Hoje, tanto o Facebook quanto o Snap estão indo no caminho da comunicação visual, acompanhando a narrativa da vida de seus usuários. No dia do IPO do Snap, Evan Spiegel, CEO da plataforma, escreveu em carta aos investidores:

“Da mesma maneira que o cursor do mouse foi o ponto de partida para produtos no desktop, a câmera dos smartphones será o ponto de partida para os produtos mobile.”

Apenas uma semana depois, o gerente de produto do Messenger Day, Tony Leach disse:

“Gostamos de pensar na câmera do seu smartphone como o novo teclado.”

 

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Isso quer dizer somente uma coisa – O newsfeed está ultrapassado, do ponto de vista de como os usuários criam conteúdo.

A navegação vertical deixa gaps entre imagens e vídeos e nem sempre oferece uma experiência totalmente imersiva na tela, pois não é por natureza full screen.

A inteligência do algorítimo também já não atende 100% aos padrões de criação de conteúdo. Há alguns anos, em que basicamente se postavam fotos e textos, e em que o consumo do conteúdo era esporádico, a inteligência do feed em juntar o que era recente com conteúdos postados há horas era necessária para que não perdêssemos as histórias mais relevantes.

Isso também se aplicava ao início do mobile, onde a capacidade tecnológica ainda limitava o que era possível ser ser compartilhado, digitalizando apenas os grandes highlights de nossas vidas.

Porém, com a evolução do mobile, deixamos para trás apenas os grandes momentos para trazer a narrativa completa de nossas vidas, de forma linear e cronológica. Onde, convenhamos, o NewsFeed não está preparado para ir. Mais do que apenas pedaços de um dia, hoje compartilhamos os passos e acontecimentos, o Stories, permite que ninguém perca esta linha de acontecimentos que tem relevância limitada à certo período de tempo.

Trazer o Stories para dentro das plataformas é muito mais sobre adaptação e sobrevivência do que sobre cópia, mas principalmente sobre entender como o usuário gera conteúdo.

 


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Antes ser chamado de copião do que de ultrapassado.